terça-feira, 31 de março de 2015

Conto - NOITE AO LUAR



Foi numa noite ao luar. Uma brisa leve acariciou o rosto dela enquanto aguardava ansiosa na sacada, achando que mais uma vez permaneceria só.
O ciúme corroía o seu peito. Como queria dizer que não o queria! Mas bateu uma vontade de ouvi-lo, senti-lo. Bateu uma saudade louca dos beijos que trocaram e das loucuras que fizeram juntos.
Queria esquecê-lo. Ao mesmo tempo queria senti-lo junto a si e fazer tudo o que estava ao seu alcance para tê-lo consigo.

Respirou fundo ao sentir o ambiente a lhe envolver; aspirou aos diferentes cheiros que pairavam no ar. Cheiro fresco da natureza ao seu redor, cheiro doce e sensível das flores.
Lembrou-se do dia em que o esperou chegar. Ouviu seus passos em direção ao seu
apartamento enquanto se escorava de costas na porta trancada. Ouviu batidas leves que fizeram seu corpo vibrar enquanto ele esperou do lado de fora. Sentiu sua respiração enquanto ele bateu outra vez, desta vez com mais força. Ela quis muito abrir seu coração a ele, junto com aquela porta, mas não devia. As lágrimas rolaram no seu rosto, mas deixou-o ir. E queria que ficasse e que ouvisse o quanto seu coração batia em seu peito, sem ter a certeza de que ainda havia tempo para os dois.

Deu-se conta de que não iria conseguir resistir, ele iria apoderar-se dela. Deixá-lo-ia apoderar-se de seu corpo, de sua alma, de seu coração. Sentiriam a vida correr pelos seus corpos trocando momentos e juras de amor, mais uma vez, juntos, derramando lágrimas num amanhã de sonhos em meio aos pesadelos.
E foi assim, inacreditavelmente, sem controlar os sentimentos que lhe desordenavam a razão que sentiu o cheiro familiar do perfume que conhecera na pele de uma única pessoa. Tão intimamente quanto a si mesma, ela o reconheceu. E o aspirou desesperadamente, enquanto o aroma vinha em sua direção.
Lembrou do frasco que comprara para preencher as noites solitárias, quando muitas vezes se perguntara o que deu errado.
E foi numa noite ao luar, enquanto negava a si mesma, apesar de toda a paixão que ainda podia sentir, que ela percebeu que sem ele não poderia viver. Com todo o seu amor e irresistível insensatez, então, ele voltou. E o que eles sentiram vai servir para não deixar morrer o fogo que ainda liga as suas almas, alimentado por um único sentimento: o que ataca os corações com um desejo ansioso querendo unir os corpos, as mentes, o amor, num mundo onde a fantasia reina por toda a eternidade...

KG Kati

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