quarta-feira, 25 de março de 2015

Conto - O AMOR É MESMO ASSIM


                   Ela abriu os olhos devagar. O dia mal amanheceu e seu sono a abandonou, completamente. Com o coração pulando no peito, lembrou-se da noite anterior passada em companhia de seus amigos. Sorriu com o canto dos lábios, enquanto se levantava da cama.
                Debaixo do chuveiro, enquanto a água caia por seu rosto e cabelos, Deane cantarolou uma canção, passeando as mãos pelo corpo ensaboado. Há dias que não se sentia tão
bem. Há dias que não se sentia tão dona de si. Ela saiu do banho com a alma lavada, forças renovadas e uma esperança no olhar.
                O café da manhã teve mais sabor. Nem mais se lembrava de como o aroma de um pão quentinho lhe abria o apetite, de como gostava do queijo no meio do sanduíche, de como deixar a mesa cheia de guloseimas lhe dava prazer.
            Sorriu outra vez ao se lembrar da noite anterior, que também fora um prazer. Tanto chegar ao show bar na hora marcada quanto ao ver quem já estava lá, além dos amigos habituais. E foi um prazer perceber o sangue ferver, enquanto calafrios de satisfação percorreram seu corpo. E aquele olhar! Os sentimentos que ele nem sequer tentou esconder transpareceram naquele olhar, magnetizado pelo foco que o corpo dela lhe proporcionava. E como foi intenso! Cheio de expectativas, pleno de admiração ao percorrer desde os olhos, cabelos, boca, cintura, coxas, pernas, pés... Sentiu-se excepcional perante o seu perscrutante olhar.
           Deane já o conhecia há algum tempo. Olhares eram trocados, sorrisos encabulados os faziam mais próximos um do outro, revelando a timidez em comum. Encontravam-se todas as manhãs na avenida em que ambos trabalhavam. Engraçado como aquele momento era tão importante! Nem um toque, mas uma cumplicidade em sentimentos que os unia e os fazia acreditar que a atração era verdadeira, que uma hora ou outra iriam esbarrar no mesmo destino, quando chegasse o momento.
             E o momento foi mágico! Dilan estava a poucos passos de Deane. Os olhares se cruzaram, podiam sentir a atração forte, seduzindo, aproximando-os. Ele andou na direção dela, não parou até enlaçar sua cintura, empurrando-a em direção à parede da boate, pressionando-a contra ela. Suas bocas se uniram ávidas, seus corpos encaixaram-se em abraços, mãos buscaram a maciez da pele por debaixo das blusas. Somente um sussurro no ouvido dela o fez se acalmar, para fazer um convite.
 

             - Deane, ah, minha  Deane, não sabe o quanto esperei por isso! Gostaria de conhecer o meu apartamento?
 
           Saíram de mãos dadas até o carro dele. Ela sabia que começava ali uma nova história em sua vida, mesmo que nem mais o visse, depois da noite que passariam juntos. O desejo foi genuíno. A entrega inevitável. A cama do quarto de Dilan quase não fora grande o suficiente para abrandar tamanho calor. E essa troca de prazer estaria viva para sempre na memória dela, o gosto de Dilan jamais sairia de sua boca. Sua pele possuía outras digitais.
          Maquiada e feliz, Deane pegou a bolsa e saiu de seu apartamento em direção ao seu trabalho. Não o viu no lugar de sempre, onde se esbarravam todas as manhãs, mas, não quis se cobrar nada. Disse a si mesma que essas coisas do coração são assim mesmo, nunca sabemos onde estamos pisando até enfiar o pé na lama. E como havia sido revigorante essa lama!
            O dia passou lento e o relógio dela parecia parar, sendo analisado a cada minuto. O telefone já estava virando um trauma, com seu toque insistente sempre dizendo que não era Dilan ligando. No final da tarde, já pegando o táxi de volta à sua casa, seu semblante era saudade misturada com frustração. Fazia-lhe falta o sorriso dele, o olhar, o carinho no começo do dia. Condenou-se por ser tão pura emoção. 
         Ela resolveu dormir cedo. Jantou qualquer besteira e cochilou várias vezes, entre o banho e a novela das nove, sem concentrar-se em nada além do que gostaria de fazer outra vez. Pensou ser sonho quando a campainha tocou, já passando das dez horas da noite. Abriu a porta e o deixou entrar em sua vida. Para ficar.

KG Kati 

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