segunda-feira, 11 de abril de 2016

BRÍZIDA - Capítulo I - PROJETO LIVRO



Querido leitor.


Faltam muitos dias para o dia das bruxas, mas estou desafiando a mim mesma para que, até que esse dia chegue, eu tenha atingido um objetivo muito especial. Escrever um livro. Sobre magia, encanto e feitiços. Sobre amor mortal e imortal. Hoje, vou deixar com vocês o CAPÍTULO I. 

CAPITULO I



A chuva torrencial e o céu cinzento do Missouri ainda estimulavam Brízida. Em todos os seus 252 anos de vida, nunca esteve tão maquiavelicamente feliz.
Há dias estudando os arredores de sua floresta enfeitiçada, na cidadezinha mais próxima, quase um vilarejo, com o nome de Saint Louis, onde poucas famílias ainda se encorajavam em viver, não dando ouvidos aos rumores de que a bruxa andava à solta por ali. Para que pudesse viver em paz com os moradores, sem ter que abandonar sua casinha cheia de poções mágicas, Brízida se mantinha afastada. Procurava distrair-se com suas maldades em lugares distantes, onde a sua presença não seria lembrada. Mas naquele dia, entrou sem recuar nas ruas empoeiradas do vilarejo. Sentia cheiro de surpresa.
 
Saint Louis era um lugar calmo e pacato, com cidadãos nada convencionais, mas austeros e conservadores. O prefeito local, o Sr. Adams Rivers, orgulhava-se de que o dia transcorria em perfeita ordem, sem incidentes que pudessem tirá-lo de seus afazeres, de suas tranqüilas atribuições.  Com seu porte corpulento, andava pela cidade a verificar as contas de seus devedores de impostos. 

Contava com a ajuda de Anton Silver, capataz forte e destemido, implacável em suas atitudes, impondo respeito sem objeções.
Anton cumpria seu dever sem questionar, aceitando sua missão como parte de seu trabalho. Tinha um andar marcado e seu corpo másculo chamava atenção das moças da vila. Mas ele passava sem dar sinal de que estava interessado em alguma delas. Até que avistou Brízida. Seu andar provocante e seu jeito cheio de mistérios fizeram com que ele penetrasse no fundo do seu olhar.  Ele a notou e sabia que não era como as outras.
 
Brízida devolveu a atenção com um olhar gélido, faiscante. Sua intuição aguçada lhe dizia para recuar e, rapidamente, num piscar de olhos, ela já não era mais vista. Nunca havia sido observada antes por um mortal, não deixaria que isso atrapalhasse os seus planos. Escondeu-se atrás de uma árvore com um feitiço, mas continuava a observá-lo. Queria ter certeza que ele não desconfiara de que ela não fosse humana.
 
Como quem não acreditava no que acontecia, Anton olhou em volta, nenhum sinal da moça. Seria possível ela ter sumido assim tão rápido? Deu de ombros e encaminhou-se à praça central, onde várias pessoas começavam a se reunir para o show do ano, com uma dupla sertaneja country.  A noite era de festa, provavelmente ela devia estar acompanhada e se perdera em meio aos companheiros.
 
Mal sabia ele que ainda a veria outras vezes, totalmente só.


Fazia vários dias que Brízida encontrara Anton. Ainda pensava porque ele a havia notado. Nenhum ser humano jamais a prendera por um olhar durante mais que segundos, mas ele a magnetizou. Foi como se ele captasse sua aura, invadisse suas defesas, em menos de um minuto. Precisava ficar atenta para que não houvesse problemas. Andou observando-o. Seus hábitos saudáveis o faziam um notório ser. Sua aura era nítida e clara. Tinha um semblante sério, porém descontraído. Andava pelas ruas apaziguando intrigas de peões embriagados ou tentando manter a ordem. Isso irritava Brízida profundamente. Tinha vontade de enfeitiçá-lo para que ele mostrasse seu lado mais animal, mais irracional. Para Brízida as pessoas não mereciam gentilezas, não deveriam ser tratadas com dignidade. Eram más e cheias de sentimentos ruins. Tinham inveja e ciúme umas das outras. Mereciam sofrer. E Anton, com sua bondade, a estava surpreendendo. Porém, quis saber mais sobre ele. Sobre seus sonhos, suas vontades. Quis ver até onde ele acreditava na humanidade.

 
Cuidando para que não fosse vista, a bruxa resolveu voltar a Saint Louis para inspecionar o capataz mais uma vez. Além disso, tinha um trabalho a fazer. Dias atrás recebera a visita de um senhor bem apessoado, porém de duras feições, de olhar sínico e atitudes imprevisíveis. Mas pagava bem. Já viúvo, tinha uma grande família, três filhos homens e uma filha mulher. Ele havia informado a Brízida que a cidadezinha estava fadada a receber a visita de uma célebre atriz de teatro, cuja fama ia além da Pensilvânia. Chamava-se Marien Vitch. Ela encenava shows de ilusionismo tão reais que a maioria das pessoas sentia-se dentro da cena. Brízida conhecia bem esse tipo de ilusão. Precisava encontrar-se com Marien. Repassou na mente a conversa que tivera com o homem, ao recebê-lo em sua casa naquela tarde.
 


- Quem vem lá e o que pretende? - ouviu Jeff Hoffman, quando estava prestes a bater na porta de uma casa no meio da mais densa floresta que já havia visto. Tinha os mais estranhos aliados na vida, soubera por um deles da existência dessa sinistra mulher em meio à Saint Louis. Mal sabia como conseguira chegar, mas sabia que uma força sobrenatural o tinha guiado até ali. Apesar de já ter visto e feito muitas coisas erradas na vida, estremeceu.
 
- Sou Jeff Hoffman e preciso de sua ajuda. - Foram vários dias de caminhada naquela selva íngreme e fria, nunca fora mais sincero.
A porta se abriu, devagar, com um ruído singular. Brízida estava de costas para ele, com o caldeirão fumegando ao fogo. Com um movimento circular das mãos, ela enviou uma cadeira até onde ele estava e o obrigou a sentar-se.
 
- Eu vejo trevas em suas visões. Vejo dor em seu coração. Vejo ódio e morte. E tenho a solução para o que você procura aqui. Diga o nome.    - finalmente ela o encarou, entregando a ele um vidrinho que acabara de encher com o líquido borbulhante retirado do caldeirão. O azul cintilante do seu olhar o fez estremecer novamente. - Diga o nome!
 
Ela sabia de tudo. Não tinha como voltar atrás, não tinha como esconder qualquer intenção de vingança. Não ousou mentir.
 
- O nome dele é Irons Dalton.
 
- Irons... Irons... - dizia e jogava ao caldeirão um pouco do que parecia ser pó de arroz. - Dalton... Vejo ganância. Poder. Você sabe com quem está lidando, Jeff? - seu olhar fuzilante novamente o alvejou. - Vejo magia... Negra.
 
- Ele matou a minha esposa. E terá o que merece. Vai pagar por isso.  - O ódio no olhar de Jeff era genuíno. - Existe uma pessoa que o acompanha desde que começou a fazer fortuna. Ela se chama Marien Vitch. Dizem que por onde ela passa consegue levar boas quantias das pessoas que participam de seu show de ilusionismo. Não se sabe como, mas esvazia os cofres dos mais afortunados cidadãos. Eles estarão em Saint Louis, estado da Pensilvânia, no próximo semestre.
 
-Então, é lá que você deverá estar ao terceiro dia da lua cheia de outubro. Faça-o beber o líquido. Você tem somente um dia para que o efeito da poção não se anule. Caso ele beba ao completar as vinte e quatro horas do dia, as magias se unirão, seu poder se intensificará e ele será imortal.  - Ela chegou tão perto de Jeff que ele prendeu a respiração. Seu lindo rosto tão próximo, que pode sentir o seu cheiro. Lembrava-lhe flores em plena primavera. - Eu estarei por perto, quando você menos esperar. Agora vá!
 
De repente, ele se viu voando pra fora da casa. A linda e atraente bruxa foi ficando minúscula, conforme ele ia se afastando. Tudo pareceu rodar e o vento, batendo em seu rosto, fazendo-o fechar os olhos. Adormeceu enquanto girava e ao acordar, estava sobre a relva, na entrada da floresta, nenhum caminho à vista. Nenhum sinal da casa onde estivera. 

Seria um sonho? 

Provavelmente seria se não fosse o vidrinho com o líquido em sua mão.



Tenha uma ótima semana e fique com Deus.
Beijos meus.
Katia Gobbi (KG Kati)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja bem vindo! Clique SEGUIR, seja um seguidor do blog e comente!