terça-feira, 26 de abril de 2016

BRÍZIDA - CAPÍTULO IV - PROJETO LIVRO


Querido leitor.
 
Faltam muitos dias para o dia das bruxas, mas estou desafiando a mim mesma para que, até que esse dia chegue, eu tenha atingido um objetivo muito especial. Escrever um livro. Sobre magia, encanto e feitiços. Sobre amor mortal e imortal. A cada quatro ou cinco dias, postarei cada capítulo, conforme eles irão surgindo e formando a história de Brízida, uma linda, malvada e encantadora bruxa do século XVIII.
 
Vem comigo nessa viagem ao mundo da fantasia!
 
Com você,
BRÍZIDA - A SAGA DE UMA BRUXA


 
CAPÍTULO IV

 
Na manhã seguinte, o prefeito Rivers esperou Anton chegar ao gabinete.
 
- Alguma coisa estranha aconteceu no centro da vila ontem à noite, Anton? Soube dos boatos que percorrem Saint Louis? - O olhar do prefeito era de preocupação, apesar da risadinha visível no canto da boca. - Você também viu a bruxa?
 
- Como assim, Sr Adams? - deu um sorriso largo, apesar de ficar intrigado com o assunto. - Quem está alardeando a vila novamente?
 
- Alguns amigos do filho de Ben. Estavam aqui no gabinete, procurando por você. Bêbados demais para se dar algum crédito.
 
- Eles gostam de uma farra, aqueles garotos. Mas o que diziam? - Anton sentou-se em frente à escrivaninha do prefeito, a mão sobreposta à sua pistola de percussão Prussian.
 
- Diziam que a bruxa havia levado o filho de Ben para o seu covil. Eles estavam totalmente embriagados, Anton, mas acho que devemos averiguar se tudo está bem com Denis. Pode ter algum engraçadinho querendo se aproveitar das crenças desse povo. Não dá pra acreditar no que as pessoas fazem por dinheiro, hoje em dia. Lena sirva-nos um café! - Adams dirigiu-se à sua criada que encheu duas xícaras com o recém passado café que trazia na bandeja, fumegante e cheiroso. Atenta à conversa, ela serviu-os com o medo estampado no olhar.
 
- Sem dúvida. Vou falar com Ben e com os garotos, não se preocupe. - Anton aceitou, agradecendo o café servido pela criada e notou o seu embaraço. - Sabe de alguma coisa, Lena?
 
- Não, senhor, Sr. Anton! Mas já ouvi histórias sobre essa bruxa que anda solta em Saint Louis! Ela é uma bruxa muito poderosa, é sim! Faz muitos anos que ela foi vista por aqui, eu ainda era uma menininha, era sim! Mas eu me lembro da minha mãe ter ficado com muito medo! 

Lena era uma velha senhora negra que os acompanhava há muitos anos. Tinha quase sessenta anos e há vinte e cinco trabalhava na casa do prefeito Adams nos afazeres domésticos e por companhia à sua esposa. Nos intervalos, servia café e lanches no gabinete da Prefeitura que ficava a alguns metros da casa. Apesar de ser escrava, tinha carinho pela família que servia. Era muito grata pela vida que eles lhe proporcionavam. Uma boa cama para dormir, comida à vontade para ela e para o seu filho Nil, que trabalhava com o delegado Ben Gabes. Tinha orgulho do seu menino que, apesar de escravo, era o braço direito do delegado. Havia perdido o pai muito cedo, mesmo assim era um rapaz digno de confiança.
 
- Era história para crianças, Lena! Para que não desobedecessem a seus pais. Ben deveria tê-las contado ao seu filho para que hoje ele fosse um homem decente. Vive se metendo em encrencas! - Adams sorriu para tranquilizar a criada, mas não pareceu surtir efeito. - Nil estava com eles, ontem à noite?
 
- Não senhor, Sr. Rivers. Ele disse que iria procurar um lugar nas montanhas. Não falou onde, não, senhor! - O sotaque arrastado de Lena confirmava o que o prefeito já desconfiava. Certamente, se estivesse com eles, já teria avisado. A criada aproximou a bandeja com o café e o prefeito se serviu de alguns biscoitos, juntamente com o primeiro gole fumegante. - E se o senhor acha que era só história, eu penso que ela existe sim senhor, existe sim!
 
- Bobagem, mulher! Diga ao seu filho para vir ao gabinete hoje à tarde, precisamos conversar. Pelo jeito, deve haver novidades. Agora, pode ir, Lena.
 
- Sim, senhor prefeito.
 
- E eu vou dar uma volta para ver se encontro alguém que possa esclarecer os fatos. - Anton levantou-se e já ia em direção à porta da rua, quando pareceu se lembrar de algo. Largou sobre a mesa um pacote fechado de uns vinte centímetros, volumoso e escuro. 
- E, Sr Adams, Jeff Hoffman prefere ficar anônimo quanto ao patrocínio da ilusionista Marien. Enviou um mensageiro que chegou ontem à noite, hospedando-se na pensão, trazendo esse dinheiro e a mensagem. Ele não quer que seu nome apareça de jeito nenhum e quer que a prefeitura fique com os créditos. E hoje, pela manhã, já não havia mais sinal do mensageiro. Saiu sem ser visto.
 
- Ora, ora! Mas isso é bom ou ruim, Anton? O que isso quer dizer? - Adams abriu o pacote à sua frente e tirou uma generosa quantidade de dólares de dentro. - Há mais ou menos uns cem mil dólares, aqui, Anton! Acho que é hora do delegado Ben saber a respeito. Vamos marcar uma reunião. Veja se consegue algo na rua. Conversamos à tarde.
 
-Sim, senhor. - Anton pegou seu chapéu, fez uma reverência assentindo, enquanto o colocava sobre a cabeça e saiu, observando as ruas poeirentas que começavam a dar sinais de movimento, num ir e vir de pessoas.


Nil havia acabado de chegar quando sua mãe o interceptou abrindo a geladeira da cozinha, na casa grande.  Ele devia ter estado de olho em Denis Gabes por ordens de seu pai na noite anterior, mas tinha estado ocupado. Havia descoberto onde o rapaz passava o seu tempo livre antes das farras e bebedeiras que quase sempre acabavam em encrenca e confusão. Estivera no local para averiguar, mas só encontrara vestígios de que Denis havia se encontrado com alguém ali. Era uma casa antiga e abandonada, além do centro movimentado, numa rua sem saída, localizada entre alguns terrenos baldios.
 
- Onde esteve, meu filho? Soube do que aconteceu? O filho do Ben aprontou outra vez!
 
- Olá, mamãe! Denis não tem jeito, mesmo. Ouvi os rapazes contarem de uma abordagem a uma moça. Estão dizendo que era uma bruxa!

Com um sorriso nos lábios, Nil tirou o almoço que Lena sempre deixava para ele na geladeira e o colocou para aquecer no fogão. Compartilhava com os demais a ideia de que bruxas não existem.  

- Mas fique tranquila Dona Lena. Ele vai acabar aparecendo. Foi somente mais uma, das muitas bebedeiras dele, tenho certeza disso.
 
- Tomara que você tenha razão, meu filho! Tomara! E o prefeito Rivers quer fazer uma reunião no gabinete, hoje à tarde. E você deve ir também. - Lena dirigiu-se à sala da mansão em busca de seus afazeres e o deixou só, com seus pensamentos.
 

Enquanto saboreava a comida apetitosa, lembrou-se do lugar estranho onde estivera na noite anterior. 
Sua cabeça ainda latejava devido ao ocorrido.  Tinha certeza de que vira Denis entrar naquela casa velha e abandonada em um beco no fim da rua, em direção às montanhas, perto de alguns terrenos baldios.  Estava seguindo-o há algum tempo, suspeitando de suas estranhas atitudes. Havia chegado bem perto da porta de entrada e ouvira partes de uma conversa do lado de dentro. Ele não estava sozinho. E a voz era de um homem de classe.
 
- Gostaria de me certificar que você agiu corretamente. O sucesso dessa operação depende exclusivamente de você. - Entregando um pacote volumoso para o garoto, o homem misterioso fitou-o nos olhos e Nil viu Denis estremecer.
 
- Eu sei Sr Jeff. Pode ter certeza de que seus objetivos serão os meus objetivos. Toda a cidade irá parar no dia do Walloween. E o delegado não vai causar nenhum problema.
 
Nil observou de longe enquanto Denis abriu o pacote e tirou de dentro dele um envelope com dinheiro. Satisfeito, fez reverência militar selando o trato com Jeff Hoffman, enquanto o elegante senhor se encaminhou para a porta na saída da casa velha.
 
- É bom, mesmo, que ele nunca saiba dessa nossa conversa. Tenho certeza de que você sairia perdendo muito mais do que eu. - Sem se despedir, Jeff abandonou a casa e seguiu seu caminho.
 
Denis ainda estava na casa quando, de repente, algo atingiu a cabeça de Nil e ele perdeu os sentidos, recuperando-os somente ao raiar do dia, quando acordou deitado sob os galhos da árvore em que havia se escondido. Precisava ter certeza, mas desconfiava de quem poderia tê-lo atingido. Um dos amigos de Denis. Não havia dado atenção suficiente a eles. 

Apesar de que não tinha ouvido sequer um ruído, nem um sinal de alguém se aproximando. Simplesmente, uma pancada tirando-lhe os sentidos...


 
 
 
 
 
 
Fique com Deus e tenha uma ótima quarta-feira.

Beijos meus.

Katia Gobbi (KG Kati)

 

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