segunda-feira, 9 de maio de 2016

BRÍZIDA - CAPÍTULO VI - PROJETO LIVRO


Querido leitor.

Como vocês já devem saber, estou desafiando a mim mesma para atingir um objetivo muito especial. Escrever um livro. Sobre magia, encanto e feitiços. Sobre amor mortal e imortal. A cada quatro ou cinco dias, (ou, no caso, a cada tempo maior - kkk) postarei cada capítulo, conforme eles irão surgindo e formando a história de Brízida, uma linda, malvada e encantadora bruxa do século XVIII.
 

Vem comigo nessa viagem ao mundo da fantasia!
 
Com você,

 BRÍZIDA - A SAGA DE UMA BRUXA


CAPÍTULO VI

 

-Pronto! Acabei! 
O que vocês acham meus felinos? 
Quando tornarei a ver aquela a quem eu devo a morte? 
Com uma gargalhada sincera e estrondosa, diante do caldeirão fumegante em sua casa, no meio da floresta enfeitiçada, Brízida preencheu, com uma poção mágica, um vidrinho pequenino com tampa, escondendo-o dentro de sua varinha mágica. 

Havia conseguido o último ingrediente com Dilan, filho do general Leon. A primeira gota de sua saliva, depois de ser transformado em gato.
 
No caldeirão, fixou seu olhar para consultar o presente dia na cidade. Queria saber como Denis havia se comportado ao chegar a sua casa, o que estavam pensando sobre aquela noite em que havia se descontrolado. Para sua surpresa, a primeira pessoa que viu foi Anton.
 
Parecia ser o único que ainda estava pensativo e preocupado. Ele sabia que tinha algo errado. E ainda pensava em Brízida. Sentia sua presença como naquele dia, sentia seu cheiro de flores. Fechava os olhos e via seu olhar misterioso. Suas curvas insinuosas. Queria vê-la. Precisava conhecê-la. E Brízida não podia acreditar nas próprias intenções. Estava disposta a encontrá-lo outra vez.
 
- Ora, ora, ora... Você está aí, com seu olhar insultando os meus sentidos. Não perde por esperar, Sr Anton! - Pensando alto, Magda Bel desfaz a visão no caldeirão com um gesto manual e saiu, com sua energia corporal intensa batendo a porta atrás de si.

 

De volta à cidade de Saint Louis, Brízida esperou por Anton do lado de fora da pensão de Donanda. Sabia que a qualquer momento ele terminaria seu café e a encontraria observando-o do outro lado da rua. Sua vingança estava apenas começando e ele teria importante papel nela. A atenção e interesse que vira no coração do rapaz seriam de grande utilidade para Brízida.
 

Quando seus olhos se encontraram, uma estranha sensação percorreu o corpo de Anton. Suas mãos tornaram-se úmidas e suaram frio, seus cabelos arrepiaram em seu couro cabeludo, seus lábios se abriram num sorriso e ele caminhou até ela, mesmo sem entender o que sentiu. Quanto mais se aproximava, mais era atraído pelo seu olhar misterioso, pela sua expressão magnética.
 
- Bom dia, senhora! Que surpresa boa! Pensei que tivesse sofrido algum tipo de trauma naquele dia em que os galhos daquela velha árvore resolveram criar vida! Confesso que estava preocupado com a senhora. Ou deveria dizer senhorita?... - sorrindo amavelmente, Anton conseguiu disfarçar o nervosismo e chamar a atenção de Brízida para seu peitoral musculoso. Ele chegou tão perto, a ponto de quase a tocar, olhando-a nos olhos. Sentia seu perfume de flores.
 
- Bom dia, cavalheiro! Senhorita, sim, por favor! - cumprimentou-o com uma mesura, olhando-o nos olhos, sentindo sem querer, o cheiro bom e natural do humano e o calor que exalava de seu corpo. Ela o queria. Como poderia? Onde estaria seu juízo, afinal?

 Afastou-se.

- E por isso estou aqui, devo-lhe desculpas por me afastar sem explicações. Eu, realmente, estava com muita pressa naquele dia, não tinha tempo para lhe explicar nada. Sinto muito, Senhor... Como é mesmo o seu nome?
 
- Anton Silver, senhorita. A seu dispor. Por favor, não se acanhe em pedir minha ajuda, se precisar. Gostaria de um café? Donanda acabou de passar e eu adoraria ouvir suas desculpas e lhe fazer companhia na pensão.
 

Sem dúvidas, Anton tinha muito charme, esbanjava simpatia com seu sorriso cativante. Magda Bel não pretendia entrar na pensão, mas acabou cedendo diante de sua delicadeza. Ainda estava confusa e curiosa em relação a seus próprios sentimentos. Alguns passos depois, estava sendo observada, pela primeira vez, por dois humanos na mesma hora.

- Entre, querida. Convidado de Anton é meu convidado, também. - Donanda serviu-lhe o café já na xícara. Estivera escutando a conversa de Anton com a estranha e se apressou em oferecer-lhe o conteúdo fumegante.

 
Brízida olhou profundamente para a dona da pensão. Entrou em seus pensamentos. Viu sua gentileza interior. Ouviu seus bons fluídos refletindo a sua alma. Gostou muito do que viu. Sentiu-se maravilhosamente bem.
 
Voltou seus olhos a Anton que a fitava e estremeceu. Ele a observava com um sentimento estranho, olhava-a como se ela estivesse linda e calma, sem a fúria que permanecia em seu interior e que afugentava todos que estivessem a sua volta. Olhava-a como há muito não era vista. Sem medo. Sem ímpeto de fugir. Com vontade de estar ao seu lado. Anton a queria perto, Donanda a queria perto. E Brízida não entendia essa situação, nem sabia como era possível.
 
Não estava preparada para tanta bondade, a de Anton e a de Donanda. Nunca se permitira aproximar-se tanto de humanos, desde que sua mãe fora morta por eles, há mais de cem anos atrás.

 
Sara fora queimada numa fogueira. Sem piedade. Acusaram-na do que ela era realmente. Uma bruxa. Brízida havia assistido ao espetáculo, de longe. Não poderia ter interferido, ainda estava sendo iniciada em bruxaria. Não tinha poderes suficientes. A única coisa que vez foi gritar, o mais alto e desesperador possível, sem entender porque sua mãe não reagira. Por que não lançara raios e trovões, por que não transformara todos eles em ratos imundos. Poderia ter agido assim, mas não o fez. Poderia ter se libertado, mas não mexeu sequer um dedinho para desvencilhar-se das inúteis cordas que a prendiam a uma haste de madeira grossa e alta, no meio da fogueira acesa.
 

Mais tarde, Brízida descobriu o porquê ela não reagira. Sua mãe era uma bruxa branca, não enfeitiçava por vingança, não matava por prazer, não desperdiçava a vida de inocentes. Os humanos de Saint Louis não tinham culpa por temer a bruxa. Estavam defendendo a cidade, protegendo seus moradores. E Sara deixou-se abater. No lugar da verdadeira bruxa, inescrupulosa, terrivelmente má e poderosa. Agindo assim, estaria protegendo Brízida. Ninguém saberia de sua existência. A cidade inteira acharia que Sara era a única bruxa que existia por ali. Sara morreu por Brízida. Morreu tentando esconder seu maior segredo, sua própria filha, que fora criada em Saint Louis às escondidas, sem o perigoso clã de bruxas saber. Para protegê-la dos humanos e da verdadeira e maior ameaça que já existira. Marien Vitch.
 
Quando soube, Brízida transformou-se em dor. Teve medo por não ter forças para se vingar. Teve raiva de si mesma por não saber quem era a verdadeira culpada, se a bruxa branca ou a bruxa má que habitava seu coração. A má, não tinha forças e poderes suficientes. A branca não tinha coragem de ser má.
 

Então, Brízida transformou o próprio coração num bloco de pedra e seus sentimentos foram trancafiados dentro dele. Pela dor da perda de sua mãe, Brízida tornou-se incapaz de amar outra pessoa, quem quer que fosse. Por sua mãe, Brízida prometeu se vingar algum dia, quando finalmente, procurou o clã de bruxas e se permitiu fazer tudo o que precisava para que fosse iniciada em magia. E então, ela escolheu. Pela sua mãe, que dominava a magia branca, que era pura luz e bondade, em protesto ao seu fim trágico e doloroso, Brízida transformou-se na mais poderosa bruxa de magia negra que o mundo já vira. 



Por ela, Brízida perdeu-se nas sombras, apesar de ser descendente e possivelmente a maior futura bruxa branca que haveria de existir.

Tenha uma ótima terça-feira e fique com Deus.
Beijos meus.
Katia Gobbi (KG Kati)

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