quinta-feira, 26 de maio de 2016

BRÍZIDA - CAPÍTULO VII - PROJETO LIVRO






Querido leitor.

Como vocês já devem saber, estou desafiando a mim mesma para atingir um objetivo muito especial. Escrever um livro. Sobre magia, encanto e feitiços. Sobre amor mortal e imortal. A cada quatro ou cinco dias, (ou, no caso, a cada tempo maior - kkk) postarei cada capítulo, conforme eles irão surgindo e formando a história de Brízida, uma linda, malvada e encantadora bruxa do século XVIII.


Vem comigo nessa viagem ao mundo da fantasia!

Com você,

 BRÍZIDA - A SAGA DE UMA BRUXA


CAPÍTULO VII








- Brízida! Senhorita? Você está bem?
 

A voz de Anton trouxe Brízida de volta ao mundo real, aos dias atuais. Estivera tão perdida em suas lembranças, em seus próprios pensamentos, que esquecera completamente os dois humanos parados a sua frente. Mais uma vez, viu-se observada pelos lindos olhos verdes de Anton, sentiu-se invadida pelo perfume de seus cabelos, do seu corpo, pela masculinidade que exalava dele. Esticou seu braço e tocou o rosto bonito, suavemente, absorvendo a sensação de maciez de barba recém feita. A pele quente, o cheiro envolvente, a delicadeza com que ele a fitou fez com que Brízida se aproximasse mais de Anton, mergulhando em seu coração, pronta para ler o que ele estava expressando, entender o que ele estava sentindo.

 
- Sim, Anton. Estou perfeitamente bem. E me desculpe se o deixei falando sozinho. Estava relembrando uma tragédia que se abateu sobre minha família, há muito tempo atrás. Eu estava, justamente, visitando a cidade naquele dia que você me encontrou. Fiquei tão abalada com minhas relembranças que não pude explicar o que estava fazendo por aqui. Simplesmente, queria reviver tudo, no local onde a minha vida começou a mudar. Eu já morei e fui muito feliz em Saint Louis, há muito tempo atrás. Morei com minha mãe, naquela velha casa abandonada e suja aonde nos vimos da última vez.
 
Brízida surpreendeu-se com a sinceridade com que pronunciou essas palavras. Sorveu mais um gole do café que Donanda acabara de oferecer-lhe, baixando os olhos e sorrindo timidamente.
 

- Bem, meus queridos, eu vou deixá-los a sós para conversarem e esclarecer os fatos. Sinta-se em casa, Brízida. E volte sempre que quiser. - Donanda, vendo o embaraço da moça, deixou a bandeja do café sobre a mesa, oferecendo aos dois os petiscos que a preenchiam. Depois, sumiu em meio a seus afazeres nos quartos da pensão.
 

Anton sentou-se e convidou-a a se sentar também. Não via a hora de saber mais sobre a sua vida. Ficava extremamente à vontade com aquela moça linda e misteriosa.
 

- Sério? Não faz muito tempo que cheguei à cidade, Brízida, mas nunca tinha lhe visto por aqui, a não ser de uns poucos dias para cá. Nunca me passou pela cabeça que você estaria retornando à cidade justamente naquele dia. Achei tão estranha a sua atitude, caminhando sozinha e pensativa, sem sequer responder ao meu chamado, principalmente quando você sumiu e não a vi mais por aqui.
 

- Eu imagino. Desculpe. Não quis preocupá-lo com meus atos. Só precisava ficar sozinha, pensar no que estava fazendo aqui, no que a minha vida se transformou. E você tem me chamado seguidamente em seus pensamentos, eu sinto isso. Você está querendo saber sobre mim, sobre a minha vida, sobre os meus atos e sentimentos. E não deveria... - Olhando profundamente no fundo dos olhos de Anton, Brízida resolveu testá-lo. Até onde ele iria com seu interesse nela? O que ele pretendia com seus sentimentos tão espontâneos transparecendo em seu olhar?
 

- Você... Sente? Realmente, você sabe que eu quero conhecer o seu coração? O que há por trás desse rosto lindo e meigo, Brízida? Sei que você tem algum segredo, não tenho ideia do que pode ser, mas eu posso ajudá-la, sei que posso. E quero muito... - Anton aproximou seu rosto até que pode sentir o cheiro de flores tão familiar que havia nela. Seus olhos estavam tão perto, penetrantes, fitando tão intensamente o olhar de Anton, perscrutando, observando cada respiração, ouvindo cada batida do coração que acabava de acelerar, que ele não resistiu. Anton passou o olhar dos intensos olhos azuis da moça para a sua boca, lábios macios e rosados, convidativos, entreabertos, aproximando-se mais e mais da própria boca, que não teve como evitar. A vontade de beijá-la apoderou-se dele, as bocas se encontraram delicadamente. Lábios quentes receberam o seu desejo, o carinhoso beijo.
 

Brízida não hesitou. Deixou que Anton a beijasse. E gostou da sensação de beijar um humano, sem querer transformá-lo em gato. Não precisava de Anton, não estava usando-o como aos outros que já beijara. Simplesmente, não sabia o que estava acontecendo, nem o porquê de se sentir tão bem, tão leve com esse beijo. E queria mais. Intensificou o toque dos lábios, fez pressão com sua boca na boca de Anton, levantou-se da cadeira onde estava e sentou-se “a cavalo” no seu colo, apoderando-se do seu corpo másculo num abraço. 

Encostou seu ventre no peito do rapaz para beijá-lo mais intensamente, prendeu sua nuca com uma das mãos e depois de alguns segundos pressionando-o contra o próprio corpo, a cadeira em que estavam cedeu e caiu para trás, derrubando-os. Porém, antes que os corpos se machucassem, Brízida envolveu-os magicamente numa nuvem de feitiço e levantou a cadeira, fazendo-a levitar, mantendo-os alguns centímetros longe do chão.
 

Então, ela percebeu o que estava acontecendo, o desejo invadindo a ambos, a fome de abraços e entrega satisfazendo a vontade de ligar os seus corpos e suas almas pela eternidade. Por que quando uma bruxa ama um humano é assim. Um pertence ao outro, de corpo, alma e coração. Quando um humano é destinado ao amor de uma bruxa, não tem como resistir. Eles se completam de tal maneira que tudo no mundo da magia se torna mais forte, mais poderoso, mais arrebatador.

Ao mesmo tempo em que esse sentimento pode fazer uma bruxa temer pela sua própria vida. Uma bruxa apaixonada torna-se frágil, presa fácil por saber que deve proteger seu amado na hora da batalha.
 

Não poderia deixar isso acontecer. Devia se afastar de Anton o mais rápido possível. Com um movimento circular de uma das mãos, Brízida fez a cadeira voltar ao normal, viu-se ainda no colo de Anton, fitando seus olhos verdes depois do intenso beijo. Deveria fazê-lo esquecer o que acabara de acontecer, mas algo a impedia. Queria absorver esse momento em sua pele, em seus poros, queria lembrar-se do cheiro de Anton para todo o sempre. Queria-o.
 

Levantou-se lentamente, puxando-o pela mão, olhando-o nos olhos, eles subiram juntos pelas escadas da pensão até o quarto de Anton, fecharam a porta depois de entrar, sem que ninguém os visse. Beijaram-se novamente, dessa vez enroscando seus corpos um no outro, Anton acariciando o corpo de Brízida, resvalando as mãos pelas suas costas, abrindo os botões do seu vestido, fazendo-o cair ao chão.
 

Afastou-se um pouco para olhar o corpo de Brízida, enquanto tirava suas próprias roupas, admirado com sua beleza, os cabelos cobrindo os seios, as curvas acentuadas movimentando-se em sua direção.
Quando Brízida estava bem próxima de Anton, ele a deitou delicadamente em sua cama, depois se deitou ao seu lado e abraçou-a. Suas bocas se encontraram e Anton a puxou para si até que seus corpos fundiram-se, entregaram-se totalmente ao prazer.
 

E quem passou pela rua naquela manhã, em frente à pensão de Donanda, teve a impressão de ter visto a escuridão da noite e o brilho das estrelas dentro de um dos quartos. E houve quem disse ter visto o brilho da lua iluminar o quarto de Anton quando o sol se pôs e a noite tomou conta de Saint Louis.



Tenha um ótimo final de semana e fique com Deus.

Beijos meus.
Katia Gobbi (KG Kati)

 

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